A Sexualidade na Escola
Em
um mundo cheio de transformações, nos questionamos se
nossas funções, tais como as conhecemos (como pais, educadores,
agentes de saúde), estão de acordo coma a realidade social.
O papel da escola passa a ser fundamental na medida em que grande parte
do tempo do jovem é vivido dentro dos “muros da educação”.
Abordar a sexualidade na escola não é fácil. Devia
ser, mais não é. “Falar de sexualidade é difícil
porque imaginamos sempre coisas associadas a ela que nos levam a ficar
com vergonha. Se calhar é por isso que os professores não
estão à vontade para conversar com seus alunos abertamente”.
Segundo relatos de uma escola pública, acham que aprendem mais
a falar com os amigos e os colegas sobre temas que se relacionam com
a sexualidade do que na escola com professores. Na escola quando se aborda
este tema, fala-se principalmente dos perigos das doenças sexualmente
transmissíveis, dos métodos contraceptivos e pouco mais.
Oculta-se na maioria das vezes, o que é muitas vezes mais importante:
satisfazer a curiosidade, questionar sobre se determinados comportamentos
são considerados “estranhos” ou se “faz mal à saúde” praticar
determinado tipo de sexo.
Depoimentos recolhidos junto de alunos de dois estabelecimentos de ensino
do Porto, permitem demonstrar, pelo menos em parte, que a educação
sexual nas escolas é ainda um tema pouco divulgado. Isto, apesar
de a educação sexual se encontrar regulamentada desde 1984,
pela lei nº 3/84, bem como pela Lei de Bases do Sistema Educativo
de 1986.
Apesar de ter uma importante função preventiva, a educação
sexual não devia cumprir um papel meramente informativo.
Mais do que orientar-se preferencialmente por outra abordagem, o fundamental, é que
a escola, desde a pré-primaria à universidade, defina com
coerência os objetivos que pretende atingir.
A formação de professores é uma das áreas
mais importantes para o sucesso desta estratégia. Sendo assim,
a formação de formadores de educação sexual,
no caso professores, deve-se uma das principais apostas da instituição,
tanto como meio de suprir a carência de formadores disponíveis
como forma de aumentar a qualidade da resposta.
Mas não devem ser apenas os professores os alvos destas ações
de sensibilização e formação. Os pais, enquanto
atores centrais no processo de aprendizagem e da formação
pessoal de seus filhos, são também confrontados com situações às
quais não sabem, por vezes, como reagir, questionando-se freqüentemente
de que forma podem ajudar os filhos. Daí considerar que uma boa
parte do trabalho deva ser desenvolvido em conjunto escola -família
e até mesmo sociedade em geral, tentando alterar valores que já não
se adaptam à atual forma de vivência dos alunos em geral
independente de sua faixa etária.
Célia Crystina Rezende Silva- Psicóloga da E. E. de Educação
Especial Esperança e coordenadora do PEAS( Programa de Educação
Afetivo Sexual)
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